"Viver ultrapassa qualquer forma de entendimento"
Clarice Lispector

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Novos grupos de estudo em Fenomenologia Existencial no Espaço Cuidar!!!

Início: 12/09/2012 (quarta-feira) e 14/09/2012 (sexta-feira)
Encontros semanais com duas horas de duração
Máximo de seis participantes em cada grupo
Valor: R$ 50,00 por encontro
Local: ESPAÇO CUIDAR - unidade Santana/Mandaqui (zona norte - São Paulo)
Coordenação: Anna Paula Rodrigues Mariano
Inscrições pelo telefone: 2365-7267 ou espacocuidar@gmail.com

Visitem o site para conhecer um pouco mais sobre o nosso trabalho:
www.espacocuidar.com.br

Quem puder, ajude a divulgar compartilhando.
Obrigada!

terça-feira, 17 de julho de 2012

CURSO DE FENOMENOLOGIA EXISTENCIAL

"Psicoterapia Fenomenológico-Existencial – dos fundamentos à prática”

OBJETIVO DO CURSO:
Proporcionar conhecimentos teóricos e filosóficos a partir dos pressupostos do existencialismo e do método fenomenológico, tendo como foco a prática clínica.

METODOLOGIA: 
Aulas expositivas, discussão de textos e trechos de filmes, vivências e dinâmicas em grupo.

PROGRAMA:
A Fenomenologia
1. Contexto histórico – da metafísica ao pensar fenomenológico
2. Husserl – o pai da Fenomenologia
3. Noções Centrais da Fenomenologia:
• O que significa fenomenologia?
• Lema da fenomenologia: “voltar às coisas mesmas”
• Intencionalidade
• Compreensão
• Método
• Os dois modos de apreensão: “o que” e o “como”
• Relatividade do conhecimento
O Existencialismo
1. Introdução
2. Contexto histórico
3. Pensamento existencial - fundamentos filosóficos
4. Precursores do Existencialismo
• Soren Aabye Kierkegaard (1813-1855)
• Friedrich Nietzsche (1844 - 1900)
5. Temas existenciais
• Existência & Essência
• Liberdade
• Responsabilidade
• Solidão
• Morte
• Sentido da vida
• Autenticidade & Inautenticidade 
• Angústia
• Culpa
• Cuidado
6. As correntes existencialistas
• Jean-Paul Sartre (1905-1980)
• Martin Heidegger (1889-1976)
• Maurice Merleau-Ponty 
7. O pensamento Fenomenológico-Existencial na Psiquiatria
• Karl Jaspers (1833 - 1969) e a Fenomenologia Descritiva
• Eugene Minkowski (1885 - 1972) e Victor-Emil von Gebsattel (1883 - 1976) – Fenomenologia Genético-Estrutural
• Ludwig Binswanger (1881 - 1966) – Fenomenologia Categorial
• Medard Boss (1903 - 1990)
• Rollo May (1909 - 1994) e a Psicanálise Existencial
• Viktor Emanuel Frankl (1905 - 1997) e a Logoterapia
• J. H. Van Den Berg (1914)
A Prática Clínica
1. Sobre a Psicologia e a Psicoterapia
2. Psicoterapia Fenomenológico-Existencial – caminho de possibilidades, caminho de descobertas
3. Descrevendo o processo psicoterapêutico 
4. O início
5. O contrato de trabalho entre paciente – terapeuta
6. O processo propriamente dito
7. Alguns recursos psicoterapêuticos: O trabalho com os sonhos; O uso do divã; A Associação livre
8. O processo de alta: sobre o encerramento do trabalho ou sobre o desfecho
9. Estudo de casos

PÚBLICO-ALVO:
Psicólogos, estudantes de Psicologia e estudantes/profissionais de áreas afins.

CERTIFICADOS:
Receberão os certificados de conclusão os alunos que tiverem, no mínimo, 75% de frenquência no decorrer do curso. 

DATA e HORÁRIO:
Aulas semanais
Terça-feira, das 15h00 às 17h00 ou das 19h30 às 21h30
Sexta-feira, das 15h00 às 17h00
O curso terá duração de 18 semanas, totalizando carga horária de 36 horas. 
Para as turmas de terça-feira, início das aulas em 21de agosto de 2012.
Para a turma de sexta-feira, início das aulas em 24 de agosto de 2012. 

INVESTIMENTO:
5 parcelas de R$ 320,00 (5 cheques pré-datados)
ou, 6 parcelas de R$ 267,00 (6 cheques pré-datados)
ou, R$ 1.400,00 à vista

LOCAL:
Espaço Cuidar – Clínica Psicológica e Centro de Estudos
Rua Paulo Francisco Pascale, 109 – Residencial Santa Terezinha – Mandaqui

RESPONSÁVEL PELO CURSO:
Anna Paula Rodrigues Mariano – CRP: 06/61.948
Psicóloga Clínica, com formação em Psicoterapia Fenomenológico-Existencial pelo Centro de Psicoterapia Existencial e especialização em Psicologia Hospitalar (InCor-FMUSP e HSPM). Atuação na área clínica há doze anos. Idealizadora e responsável pelos cursos à distância oferecidos pelo Espaço Cuidar. 

MAIS INFORMAÇÕES:
Telefone: 11- 2365-7267 
e-mail: paula@espacocuidar.com.br

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Refletindo sobre a relação entre Pais e Filhos


Um dos temas mais discutidos na literatura das ciências humanas é a relação entre pais e filhos e tudo o que envolve o assunto – limites, a importância do diálogo, educação, entre outros. Por isso, ao logo do tempo foram surgindo vários conceitos e ideias, que acabaram se transformando em verdadeiros manuais de ‘Como educar seu filho’. Não há nada mais complexo do que as relações humanas e julgo uma temeridade reduzir toda essa riqueza a regras fixas a serem aplicadas para que o sucesso possa acontecer!
A maioria desse material tem o foco, basicamente, no comportamento da criança – a criança que é mimada, a birrenta, a distraída, a hiperativa, a que não tem limites, e por aí vai… Mas sabemos o perigo de lidar com essas questões de forma tão massificada – passa-se por cima da criança que você tem em casa para falar da criança da teoria, da pesquisa, do conceito.
Não existem fórmulas prontas para serem aplicadas, que garantam o desenvolvimento emocionalmente equilibrado das crianças, para que se tornem adultos felizes e produtivos. Mas não é por isso que não podemos pensar em alguns caminhos possíveis para refletirmos a questão, tomando todo o cuidado para ao cairmos na armadilha de criar mais um manual de instruções.
Nesse momento, convido vocês a uma reflexão sobre o tema, destacando um ponto importantíssimo – vamos pensar nos pais, abrindo um novo horizonte de compreensão. Vamos partir desse ponto e deixar as ideias abertas, para que cada um que leia esse texto possa completa-lo de acordo com sua própria vivência.
Em primeiro lugar, quero pontuar a importância dos pais responsabilizarem-se por um ambiente familiar emocionalmente equilibrado, afinal, eles são os adultos da relação, e o exemplo sempre partirá deles! Mas para isso, eles precisam estar em boas condições físicas e emocionais. Antes de tudo, antes de serem pais, eles são pessoas e precisam levar em consideração suas demandas e necessidades. A função mais sublime de um pai e de uma mãe é ser cuidador. Mas todo cuidador precisa, também, de cuidados! Eu diria, especificamente, autocuidado. Imaginem que exemplo maravilhoso para seu filho ver que você busca seus sonhos, cuida da saúde física e emocional, consegue estabelecer uma rotina e limites de forma que a organização seja um ponto forte no seu modo de ser! E quem já não ouviu que o melhor ensinamento é a própria ação efetivada? Não adianta um sermão lindo para seus filhos sobre como eles devem enfrentar a vida, se ao mesmo tempo a criança percebe que você se desorganiza em seus compromissos, não cuida de sua saúde, não cultiva seus relacionamentos, vai para o trabalho desmotivado e chega estressado, dizendo que odeia o que faz… Isso é pura incoerência, e a criança e o adolescente vão perceber isso. Portanto, gostaria que vocês refletissem nesse momento sobre como estão conduzido suas vidas, de que modo estão cuidado de seu ser-no-mundo, o que precisa ser ressignificado, que exemplo estão passando para seus filhos?
O que estamos dizendo é a importância de se cuidar da existência, e nesse sentido, cuidado é um ato de amor. E pensado dessa forma, chego a outro ponto fundamental nas relações humanas, especificamente na relação entre pais e filhos, que é o osso tema central: como esse amor é expresso na relação? Como você demonstra seu afeto por seu filho?
Não se trata de arrumá-lo bem para que vá à escola, preparar sua comida, cuidar de sua higiene, acompanhar suas tarefas escolares, lavá-lo ao médico… Já ouvi muitas mães se vangloriarem de serem mães exemplares por realizarem esse tipo de cuidado, que eu costumo chamar de ‘cuidado prático’. Ok, ele é importante, mas não é o essencial na demonstração de amor e afeto. Como resposta a essas mães, também já ouvi filhos dizerem ‘ela cuida de tudo isso, mas não consegue me dar um beijo, não quer ouvir minhas histórias, não tem paciência para jogar uma partida do meu jogo preferido’. Então, é sobre isso que estou falado, sobre o estar junto com o seu filho, brincar com ele, participar de seu mudo, mostrar que tem interesse pelas suas coisas, não só nas que compõem o lado prático do dia-a-dia, mas principalmente naquelas coisinhas que toda criança gosta de compartilhar com os pais! Isso sim é mais essencial na relação, é o olhar que autentica a relação de amor que envolve todo o desenvolvimento da criança, é o olhar interessado, é o olhar que acompanha, escuta, acolhe e ofereça segurança. Porto-seguro.
E depois os filhos crescem, outros interesses vão surgindo, começam a reivindicar espaço, privacidade. Há até um certo afastamento natural – e saudável – em relação aos pais. E chega a tão temida adolescência! Mas ela não é motivo para os pais se desesperarem e chamarem seus filhos de ‘aborrecentes’… Se os pais conseguiram, até esse momento, manter o envolvimento afetivo com seu filho, mostraram-se presentes, responsáveis, agora é hora de novos acordos.
Continuem envolvidos na vida de seu filho, mas agora lembrem-se: ele não é mais uma criança indefesa e dependente. Ele precisará de espaço para crescer e precisará perceber que vocês confiam nele, assim poderá desenvolver-se com segurança. Dar espaço para que seus filhos conversem com vocês sobre seus interesses, seus amigos, como anda sua vida, é uma ótima maneira de exercitar o afeto na relação. Mas precisamos ressaltar que os pais de uma criança agem bem diferente dos pais de um adolescente. As demandas são outras, as questões e os limites também devem ser. Por isso, não é só a criança que passa pelas fases do desenvolvimento; os pais também precisam perceber essas mudanças em seu modo de ser pai. Não dá para falar om um adolescente de 16 anos da mesma forma como se fala com uma criança de 5 anos. Essa é uma dica valiosa, prestem atenção a isso e reflitam! Encontre a sua forma de falar com seu filho, em cada uma de suas fases.
As mudanças sempre acompanham o processo de educação de um filho, mas algumas coisas não mudam, como por exemplo: não importa a idade de seu filho, é sempre muito bom ter demonstrações de afeto e carinho com ele! E outra questão que é invariável é o estabelecimento de limites desde cedo e, sobretudo, de forma coerente. Os limitem auxiliam a criança a conseguir administrar o próprio comportamento, a se organizar, a sentir-se segura e protegida em uma rotina familiar que será sua plataforma para a vida futura.
Conversar sobre os limites e ouvir o que seu filho tem a dizer também é uma ótima maneira de dar espaço para que ele se coloque, para que ele se reconheça como alguém que tem opiniões, desejos, alguém que tem querer! Penso o quanto isso é significativo para a criança ou adolescente que está se descobrindo, que está começando a conquistar o mundo.
E nesse processo, aos poucos, a independência vai aparecendo. Aquela criancinha agora é um moço que tem sede de conquistar o mundo. E por mais que os pais o vejam sempre como o seu filhinho, a realidade deve ser encarada de frente.
Acabo de lembrar um lindo poema escrito por Gibran Khalil Gibran, poeta de origem libanesa que aborda exatamente essa questão e compartilho aqui com vocês:
“Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.”
Gibran Khalil Gibran
Os pais que compreendem esse poema saberão que não é preciso grandes manuais ou um ‘beabá’ sobre como educar seu filho. Saberão que a presença amorosa em cada momento, o respeito ao ser humano que está ali sob seus cuidados, a coerência entre o que se diz e o que se faz, a delicadeza no olhar, a prontidão para colocar limites, que tudo isso se constituirá na base firme na qual seu filho se desenvolverá. E arrisco a compilar todas essas atitudes em uma só: no amor que é demonstrado no dia-a-dia, de forma muito natural, na vivência da relação entre pais e filhos.

Para ler mais sobre o tema, acesse o site do Espaço Cuidar: www.espacocuidar.com.br 

terça-feira, 5 de junho de 2012

Heidegger e a Espacialidade


Começarei a escrever uma série de textos que abordam ideias contidas em Ser e Tempo, livro de Heidegger no qual ele expõe sua ontologia. Começarei pelo parágrafo 24, do capítulo três, que tem como título: “A espacialidade da presença e o espaço”. É importante dizer que a proposta não é seguir o livro em sua ordem de apresentação, mas destacar alguns temas e aproximá-los de uma compreensão mais acessível.
Nesse parágrafo, Heidegger nos mostra como ele concebe o espaço de forma originária, contrapondo-se ao espaço que o modo de pensar ocidental nos incute dentro da tradição. Isso ficará mais claro ao longo do texto.  

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Exposição de Alberto GIACOMETTI na Pinacoteca do Estado de São Paulo

Alberto Giacometti (1901 - 1966) é um dos artistas mais importantes do século XX. Nascido na Suiça, ele se instala em Paris em 1922, onde permanece até a sua morte. De 1925 a 1965, sua produção acompanha os grandes movimentos da modernidade: cubismo, surrealismo, abstração e retorno à figuração, sem nunca desviar-se de um caminho exigente, traçado de maneira independente. 
Figura inclassificável, ele se empenha em criar uma obra que procura responder a várias questões fundamentais sobre a prática artística, sempre atuais: o significado e os meios de representação, a relação da obra de arte com o espaço, o papel da arte e do artista. 
Além disso, Giacometti aborda questões filosóficas essenciais como a relação entre o sujeito e aquilo que o rodeia, a inscrição do indivíduo no tempo e o papel da memória. 
Rejeitando fórmulas prontas, que atrapalham a nossa percepção, Giacometti procurou traduzir, da forma mais exata possível, o que via. Ao convidar o observador a compartilhar de sua visão, encoraja-nos a abrir os olhos. 
Esta exposição foi concebida a partir das coleções da Fondation Alberto et Annette Giacometti, criada em 2003, em Paria, pela iniciativa da viúva do artista, a partir das coleções do casal. A mostra traça todas as etapas da trajetória do artista em um percurso tanto cronológico quanto temático 

Véronique Wiesinger 
Curadora


A exposição vai até o dia 17 de junho de 2012, na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Endereço: Praça da Luz, 2 - Luz



Visitei a exposição e fiquei encantada com a obra deste artista impar. A forma de expressar em sua obra aquilo que via e seus questionamentos acerca do mundo é uma verdadeira porta aberta a reflexão. Em sua escultura podemos perceber o movimento dos corpos e em sua pintura, a expressão das marcas do tempo no rosto retratado, dando vida ao desenho estático. 
Além disso, o artista manteve contato com Sartre, filósofo existencialista que escreveu dois ensaios sobre a arte de Giacometti, que tratam da questão da percepção.
  
Para quem gosta de Arte, essa é uma ótima escolha! 




quarta-feira, 30 de maio de 2012

Um pouco sobre a história da Psicologia

Compartilho com vocês o texto que eu escrevi para o meu site do Espaço Cuidar.
Procurei trazer um panorama geral sobre o contexto no qual a Psicologia surgiu, levantando os principais aspectos que contribuíram para o conhecimento que temos hoje.
Comentários e dúvidas são sempre muito bem vindos!
Vamos ao texto:


O objetivo deste texto é refazer, ainda que por vezes através de atalhos, o longo caminho percorrido pelo pensamento humano, na direção da compreensão deste infinito objeto de estudo que é o homem. E como todo caminho, neste também iremos nos deparar com convergências, mãos duplas e obstáculos que poderão nos fazer retornar ou poderão nos oferecer a instigante opção do avanço. Nesse caminhar encontraremos marcos históricos, espaços, datas e personagens importantes.

sábado, 19 de maio de 2012

Para refletir...

Começando o Sábado compartilhando uma frase da Clarice Lispector, uma das minhas escritoras preferidas!

"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não! Quero é uma verdade inventada!" 

Trecho retirado do romance "Água Viva"




Um ótimo Sábado a todos!!!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Dicas para estudantes e recém-formados em Psicologia

A ideia deste post é compartilhar algumas dicas com os estudantes e recém-formados em Psicologia que almejam a inserção na área clínica. Para isso, considero importante falar um pouco da minha trajetória profissional, que conta mais de doze anos de atuação... Como passa rápido!
Começo destacando a importância dos estágios acadêmicos. Eles deixam o aluno em um ponto de exaustão tremendo - os primeiros contatos com os clientes, relatórios, supervisões, avaliações... Mas mesmo com todo esse estresse, eles são experiências poderosas que marcam a vida profissional de forma muito intensa. Lembro-me do meu primeiro atendimento na clínica-escola do Mackenzie, onde me formei. Era um processo de psicodiagnóstico para a matéria de Técnicas e Exames Psicológicos (TEP) e recebemos, eu e minha dupla (a querida amiga Izabella Barros), a mãe de um menino de seis anos que dizia que seu filho era uma criança muito fácil, e exemplificou da seguinte maneira: "no dia do seu aniversário ele me pediu um relógio de pulso e um ovo frito! E era isso que o faria feliz". Eu cito esse fato para ressaltar a riqueza desse contato: mais do que estagiários que estão sendo avaliados em uma clínica-escola, estamos, nesse momento, em contato com a singularidade daqueles que nos procuram, estamos em contato com histórias diversas e únicas e precisamos estar inteiros ali, naquele momento, para percebermos o que o cliente está nos falando. E esse menininho de seis anos, na sua simplicidade, apresentou-me um mundo completamente novo e diferente das minhas referências até então. Por isso, aos estudantes, a primeira dica: procurem aproveitar esse momento com o seu cliente, esqueçam o relatório, a avaliação, a nota... ofereçam uma escuta cuidadosa, acolhedora, presente! Considerem a suas impressões, deem espaço à intuição e quanto ao medo de errar... bom, pensem que vocês estão começando a construir o profissional que querem ser (e detalhe: essa construção nunca termina, mesmo com anos e anos de experiência!) e os erros fazem parte de qualquer percurso! Mas eu acredito que em situações críticas, de difícil manejo ali com o cliente, não pensem no que o supervisor vai dizer - se você agiu de forma correta ou não, se isso implicará na sua nota... Mas lembrem-se que vocês estão diante de outro ser humano e que se agirem de forma ética, coerente com a compreensão que estão tendo no encontro terapêutico, dificilmente errarão! Falo isso porque considero que esse encontro psicólogo-cliente extrapola qualquer teoria ou manual teórico que possa existir na Psicologia!
Bom, tive a felicidade de cursar uma faculdade que me ofereceu uma bagagem muito significativa na área clínica, repleta de estágios curriculares e extra-curriculares! Se o seu curso oferece a possibilidade de escolha entre matérias apenas teóricas e matérias teórico-práticas, escolham as últimas!
Concluído o curso, sai em busca de contatos e parcerias. Para isso, juntei meus projetos realizados na faculdade e visitei algumas escolas e clínicas, colocando-me à disposição. Dessas visitas nasceu uma parceria com uma escola particular que abriu espaço para que eu implantasse meu projeto de Orientação Vocacional junto aos alunos do último ano do ensino médio. E foi assim que me senti psicóloga andando com as próprias pernas! É claro que na época fazia minha psicoterapia pessoal e tinha meu grupo de supervisão. Isso é fundamental na formação do psicólogo! A partir do meu trabalho em O.V., recebi alguns encaminhamentos por parte da coordenadora pedagógica e foi assim que comecei a atender no consultório.
A princípio, sublocava um espaço, o que considero até hoje a melhor opção para quem está começando.
Nesse ponto, gostaria de reforçar mais alguns pontos, agora para os recém-formados. Não tenham medo de se mostrarem! Se você não buscar esses contatos, eles não cairão nas suas mãos sem esforço. É claro que você escutará muito mais a palavrinha "não", ok! A questão é não desanimar! Faça um levantamento dos lugares que gostaria de propor parceria ou oferecer seu trabalho. Prepare um material de apresentação para deixar nos locais que visitar - seu currículo, seu cartão, uma proposta de trabalho, como por exemplo: um programa de palestras ou de Orientação Vocacional.
Muitos psicólogos dizem que não atuam na clínica porque é uma área muito solitária, que é você e seu cliente entre quatro paredes e só... isso, no meu ponto de vista, é uma grande falácia! Sempre trabalhei em consultório e a última coisa que eu considero é que essa seja uma atividade solitária! Precisamos estar sempre buscando parcerias, ampliando nossa rede de contatos, estudando, fazendo cursos e conhecendo pessoas, e mesmo quando estamos diante de nosso cliente, estamos diante de um mundo que se abre na nossa frente, completamente único, dinâmico, imprevisível! Isolar-se nas paredes do consultório pode até ser uma escolha, mas está longe de ser a regra!
Uma alternativa muito interessante nesse sentido é formar um grupo de estudos com colegas de faculdade que compartilhem os mesmos interesses na Psicologia.
Continuando minha trajetória, após dois anos formada, continuava com o programa de Orientação Vocacional e os atendimentos clínicos e uma nova configuração aconteceu na minha carreira - integrei uma equipe multiprofissional, composta por psicólogas, psicopedagogas e fonoaudiólogas. Essa nova fase foi fruto dos contatos que estabeleci ao longo dos dois anos como psicóloga. Com essa equipe permaneci bons anos, sendo uma experiência extremamente enriquecedora. Nesse momento, já tinha uma caminhada que me permitia alçar voos mais altos e foi o que aconteceu - montei, junto com essa equipe, uma segunda unidade da clínica e participei de cada fase da construção de um espaço terapêutico, desde a escolha do local, a distribuição das salas, a decoração da clínica, a contratação de funcionários, a divisão das despesas, investimentos com divulgação... e assim, um novo capítulo na minha história profissional foi construído, cheio de conquistas, trocas, crescimento, aprendizagem, responsabilidades. Aprendi que para trabalhar em equipe é preciso alinhar objetivos respeitando as individualidades - só assim a equipe cresce como um todo! E essa foi uma experiência muito bem sucedida!
Já estabilizada na clínica, voltei meu olhar para uma outra área da Psicologia que também sempre me atraiu - a Psicologia Hospitalar. E investi nessa opção - busquei cursos, informações sobre aprimoramentos, estudei muito e consegui ingressar no programa de aprimoramento do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas. Outra oportunidade fantástica que acrescentou muita experiência à minha bagagem. Estar em um hospital do porte do HC, em um centro de referência como é o InCor, trabalhar ao lado de profissionais competentes, foi de fato muito importante! Lá pude vivenciar situações inusitadas, descobrir como uma palavra ou "simplesmente" a escuta faz toda a diferença para alguém que está totalmente fragilizado no ambiente inóspito que é o hospital. E assim eu vi a importância da Psicologia dentro do contexto hospitalar (embora nem todos os profissionais a reconhecessem...) e ficava cada vez mais encantada com a beleza da minha profissão! Foi ficando cada vez mais claro que todo crescimento, toda mudança que acontece no processo psicoterapêutico, se dá na troca entre psicólogo-cliente! É o encontro, é a troca, é a implicação dos dois lados que promove a saúde. Não é o conhecimento do profissional, quantos cursos ele tem ou o quanto ele sabe... isso não basta se ele não conseguir olhar para a pessoa que está diante dele e ter o interesse genuíno de acolher o que é dito. Depois do aprimoramento, busquei o curso de aperfeiçoamento, mas no Hospital do Servidor Publico. Com essas duas experiências no hospital tive contato com uma realidade diferente daquela do consultório - demandas diferentes, contextos sociais distintos, mas o raciocínio clínico é o mesmo! Isso não muda!
Conforme vivi essas experiências, fui percebendo que me fortalecia cada vez mais como profissional e sobretudo me reconhecia na minha escolha profissional.
Durante esse tempo que estive no hospital, foi perfeitamente possível conciliar aprimoramento/aperfeiçoamento com a clínica. Uma experiência complementava a outra!
Foi no hospital também que eu consegui definir a abordagem que eu sigo até hoje na Psicologia! E isso só aconteceu após cinco anos de experiência na área. Diante da dor, do sofrimento, da angústia e da proximidade com a morte - aspectos tão fortes no cenário hospitalar - comecei a questionar muitos pontos que sustentavam teoricamente o meu trabalho como psicóloga. Como, em um contexto tão restrito - enfrentado por muitos pacientes - alguns conseguiam ter esperança, fazer projetos e encontrar sentido para continuarem vivendo e lutando pela vida! Pulsão de vida & pulsão de morte não eram suficientes para dar conta daquelas situações... mecanismos de defesa, inconsciente, traumas... era tudo muito pequeno diante da realidade que eu presenciava dia a dia no hospital. E foi assim que eu deixei a via da Psicodinâmica e entrei na Fenomenologia Existencial!
A partir dessa experiência, busquei um curso de formação em Psicoterapia Fenomenológico-Existencial. Isso aconteceu em 2005, o curso teve duração de dois anos e de lá pra cá não parei mais de estudar a abordagem! Escreverei outro post falando da minha relação com a Fenomenologia Existencial e como ela me encanta cada vez mais... essa é uma longa história! Nesse momento, quero ressaltar um ponto: as pessoas saem da faculdade julgando que precisam definir uma abordagem, uma área... e aí é enfrentar uma grande angústia, pois são muitos caminhos a serem seguidos! E eu pergunto: por que você acha que tem que escolher um caminho, uma abordagem?
Calma! Eu penso que não precisa! Você sai da faculdade com uma bagagem que te possibilitará atuar como profissional, qualquer seja o caminho a ser escolhido. Mas não podemos esquecer que a faculdade é generalista. Você vai aprender um pouquinho de cada coisa e mesmo assim, não pense que terá contato com todas as possibilidades! No meu caso, eu praticamente não tive nada sobre a Fenomenologia Existencial na faculdade! Por isso, eu costumo dizer que nós estudamos muito, mas muito mais, depois que terminamos a faculdade. E o melhor da história: é que aí estudaremos o que realmente nos interessa! Quantas matérias eu precisei estudar na faculdade, que hoje faço questão de não querer saber... Por esses motivos, penso que a escolha de uma abordagem deva partir da sua prática, da sua experiência, de como você vai se descobrindo como profissional, nomeando a sua visão de homem e de mundo... e aí, a escolha acontece muito naturalmente! Eu até penso que não escolhi a abordagem, mas ela me escolheu! É uma sensação compartilhada com muitos outros colegas de profissão que também fizeram escolhas a partir da prática e não o contrário!
Após concluir a formação, fui convidada a assumir como professora dois módulos no curso - o de Psicoterapia Infantil e o de Somatização. E nesse momento, mais um grande desafio - encarar a atividade docente, totalmente inédita na minha carreira. Só lembrando - tudo isso acontecendo sempre concomitante ao meu trabalho na clínica!
Dei aula por mais dois anos no Centro de Psicoterapia Existencial, experiência muito importante no meu caminho na Psicologia. A troca com os alunos e com os outros professores é algo que não dá para descrever! Durante esse período dando aulas, mais uma mudança ocorreu na minha carreira. Desliguei-me da equipe para montar uma clínica própria, para seguir "carreira solo", como costumava dizer. Nesse sentido, lembro-me de um professor muito querido no meu curso de formação, que ministrava aulas sobre o pensamento de Heidegger. Ele dizia: "todas as coisas tem prazo de validade. Os relacionamentos, os sonhos, os desejos... isso não quer dizer que as coisas acabem, mas sim que elas são ressignificadas, que de alguma forma elas se transformam, e aquilo que um dia bastava, hoje já não é suficiente, por isso precisa ser transformada!" Foi exatamente isso que aconteceu com a minha experiência em equipe. Senti que em um determinado momento eu queria algo diferente, sem desprezar toda a vivência e experiência que adquiri ao longo dos anos com minha equipe.
Ressignifiquei meu caminho, montei o meu espaço e dei a ele o nome de Espaço Cuidar. Projetos novos aconteceram, novas parcerias, muito trabalho, a ponto de chegar em um momento de escolha: abri mão das aulas no Centro de Psicoterapia Existencial em função de todas as demandas no meu Espaço.
Na época em que essa escolha foi realizada, também precisei me ausentar das aulas que eu oferecia no Espaço Cuidar, para poder me dedicar aos atendimentos e demais projetos do Espaço Cuidar. Afastei-me da atividade docente presencial, mas continuo, até hoje, oferecendo cursos à distância sobre a Fenomenologia Existencial.
Lá se vão cinco anos aqui no Espaço Cuidar, sempre com muito trabalho, novas ideias, vários contatos. Temos um site interativo que está no ar desde 2007 que me proporciona a troca com pessoas do Brasil inteiro, e até fora do país, que buscam informações, conhecimentos e compartilham sua visão de mundo, contribuindo sempre, cada vez mais, para minha formação! Nosso endereço: www.espacocuidar.com.br
Sou muito realizada no que faço e percebo que tudo foi sendo construído ao longo do tempo, com muita dedicação e paciência. Ouço muito as pessoas dizerem que a Psicologia Clínica é elitista - mas já fiz muito projeto social nesse tempo todo! Outro mito que sempre ouvi: você não consegue se estabelecer financeiramente com a clínica, ela será sempre sua atividade secundária - bom, eu discordo! No meu caso, eu sempre me sustentei com a clínica, que sempre foi a minha atividade principal; foi ela que me deu condições de estudar, de ir para o hospital, de dar aula, enfim! Gosto de falar isso para aqueles que querem seguir por esse caminho - não desistam antes de tentar! Comecem aos poucos, sem pressa, mas com objetivos determinados. Acreditem e se empenhem! Façam contatos, estudem, busquem o conhecimento! Não é necessário grandes recursos financeiros para isso - montem um grupo de estudos, busquem na internet, há muita coisa boa, fazendo um filtro é claro!
Finalizo esse panorama da minha trajetória na Psicologia desejando que essas linhas possam ser uteis, de alguma forma, para quem está começando uma longa história profissional.
Este foi um primeiro post. Escreverei mais dando dicas e falando sobre os desafios enfrentados nos primeiros anos de profissão. Espero que vocês contribuam com temas a serem desenvolvidos, dúvidas, relatando experiências, enfim, toda participação será sempre muito bem vinda!  
                  

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Cursos à distância oferecidos no Espaço Cuidar - Clínica Psicológica e Centro de Estudos

O Espaço Cuidar oferece quatro cursos à distância para quem quer conhecer mais sobre a abordagem Fenomenológico-Existencial.


Como funcionam os cursos à distância?
O interessado deve realizar o depósito no valor do curso e, em seguida, enviar por e-mail o comprovante de pagamento juntamento com seus dados completos - nome  e endereço.
Assim que confirmarmos o depósito, o material do primeiro módulo é enviado, também por e-mail, para que o aluno dê início aos estudos. 
Cada módulo é formado por uma apostila, um roteiro de leituras, textos complementares, bibliografia e proposta de avaliação. 
Após o estudo de todo o material, o aluno deve encaminhar sua avaliação, para que possamos dar nosso parecer e enviar o módulo seguinte, dando prosseguimento aos estudos.
Após a conclusão do curso, o aluno recebe via correio seu certificado. 

A quem se destina os cursos?
Aos estudantes e profissionais da Psicologia e áreas afins. 

Qual a duração dos cursos? 
Não estabelecemos prazos para o cumprimento de cada módulo, de forma que o próprio aluno deverá organizar-se em seus horários de estudo, de acordo com sua disponibilidade. 

Qual o valor dos cursos?
R$ 270,00 cada curso. 

Obs.: Todas as dúvidas que surgirem no decorrer do curso serão tiradas por e-mail. Considero importantíssimo reforçar que esse contato é fundamental para o andamento do curso. 

Mais informações no site www.espacocuidar.com.br

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Curso de Aperfeiçoamento: Orientação à Queixa Escolar

Inscrições de 28/5 a 11/6/2012


De 2/8/2012 a 27/6/2013
Às Segundas-feiras, das 9h15 às 11h15; e às quintas-feiras, das 9h15 às 11h15, e das 11h5 às 13h15. (Mais 2 horários a combinar para atendimentos)

Objetivo do Curso
Contribuir para o aperfeiçoamento de psicólogos que realizam atendimento à queixa escolar,      apresentar as principais críticas ao modelo tradicional e oferecer alternativas de intervenção breve e focal, envolvendo todos os participantes da produção de tais queixas (pais e escolas, além dos alunos).

Público-alvoPsicólogos

Docente Responsável
Profa.  Dra. Marilene Proença Rebello de Souza

Supervisão
Ms.  Beatriz de Paula Souza                                                            

Gratuito
Inscrições
Pessoalmente, de 28/5 a  11/6/2012, das 9h às 11h e das 14h às 16h
IPUSP: Av. Prof.  Mello Moraes, 1721 – Bloco D

Documentos                                          
-  Curriculum Vitae                                                               
-  Cópia  do CRP                                                                    
-  Cópia do diploma de Psicologia                                                             
-  Cópia do R.G.
Mais informações
Telefone:  11- 3091-4172  (com Odete)     


Local                                                                                                    
Instituto de Psicologia da USP
Av. Prof.  Mello Moraes, 1721 – Bloco D
Cidade Universitária, São Pauo, SP
(ao lado da ECA)